Anthony Freire

"Meu testemunho sincero e definitivo a respeito desse assunto é: não serve para nada se escrever sobre algo que se sentiu. Não alegra nem alivia. Não enobrece nem justifica. Portanto, quando coloco em palavras o que foi aquela punheta para mim, faço-o como numa redação escolar, para cumprir obrigação."(Aritmética - Fernanda Young )

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domingo, 11 de julho de 2010

CaioFAbreu


“Não sei, até hoje não sei se o príncipe era um deles. Eu não podia saber, ele não falava. E, depois, ele não veio mais. Eu dava um cavalo branco para ele, uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar, dava todas essas coisas e mais as que ele pedisse, fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros, com as cascas dos cocos, até com a minha carne eu construía um cavalo branco para aquele príncipe. Mas ele não queria, acho que ele não queria, e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo.”

2 comentários:

  1. Me lembrou a música "João e Maria" de Chico Buarque, já ouviu?

    Um abraço,
    Bruno Carvalho

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  2. Já construí castelos. Isso é tão fundo, profundo...

    Restos de Carnaval, de Clarice Lispector: “E as máscaras? Eu tinha medo mas era um medo vital e necessário porque vinha de encontro à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.”

    ...

    Que seja doce, o meu abraço.

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